Reunião do dia 21 de setembro de 2004
 

Relatório de Reunião – Grupo ComTec
Dia: 21 de setembro de 2004.
Local: Edifício Capa.

Realizou-se no dia 21 de setembro de 2004, às 1700 horas no Edifício Capa, Universidade Metodista de São Paulo, reunião do grupo de pesquisa de Comunicação e Tecnologias Digitais (ComTec). Estiveram presentes Adriana Oliveira, Amyris Fernandez, Eduardo Penterich, Flávio Aurélio Braggion Archangelo, João Placa, Joaquim Valverde, Silma Cortês e o líder, Sebastião Carlos de Morais Squirra, que contextualizou a tecnologia com a "crise de identidade" das ciências da comunicação tratada no último texto de Wilson Gomes. Também
descreveu as diferentes visões acerca da tecnologia encontrada nas várias instituições que passou e seu antigo projeto agora concretizado no desenvolvimento de um grupo voltado à Tecnologia e Comunicação Digital.

Squirra diferenciou o trabalho do "professor" e pesquisador, comentando que no grupo não há cobrança como numa sala de aula; embora exista um compromisso de trabalho subjacente ao convite dos pesquisadores para ingressarem no grupo, há uma dinâmica própria e liberdade de investigação, de discussão. Squirra considera o grupo como "um fórum de debates privilegiado, carinhoso, científico de testar nossas idéias... Não podemos montar um grupo só por `montar um grupo'... Eu quero reforçar isso, essa preleção meio admoestadora não é para vocês ficarem esperando alguém cobrar algo de vocês, é para
vocês se sentirem livres para trazer suas contribuições".

A partir desta explanação inicial cada membro comentou sucintamente sobre sua atividade acadêmica e profissional. Amyris Fernandez é professora na graduação e pós-graduação nas áreas de administração e tecnologia da informação, comércio eletrônico, comunicação e
interação eficiente homem-máquina: "Tenho trabalhado em várias áreas que vem do desenvolvimento de softwares e que, na verdade, trabalham sobre a criação de interfaces que teriam que se comunicar corretamente conosco mas acabam falhando... eu vejo se há interação". O alvo de estudo de Amyris no grupo foi relacionado então a interação
homem-máquina.

Flávio Archangelo é jornalista e comentou acerca de sua dissertação de mestrado na USP, sobre radiodifusão internacional e sua relação com o tema tecnológico no sentido das comunicações à distância (telecomunicação), sendo aquele trabalho versado mais sobre história, geopolítica e jornalismo. Flávio descreveu a desmitificação da tecnologia com o doutorando na UMESP, tendo apresentado recentemente um paper na disciplina Cibercomunicação sobre a radiodifusão digital, seus modelos e problemáticas na implementação, um movimento de modernização e transformação tecnológica. Ainda comentou contato prévio com experimentadores no aspecto da recepção dos sinais DRM. O
campo de estudo de Flávio foi definido como sendo da mídiamorfose (Fidler) e a convergência digital em RTV.

Eduardo Penterich teve formação nas exatas e mestrado em administração. Seu contato com a comunicação ocorreu com suas atividades no curso de RTV e como aluno especial no doutorado da UMESP, trabalhando com educação à distância e professor em tecnologia digital, comércio eletrônico e inovação tecnológica aplicada ao e-commerce. Eduardo prossegue sobre suas atividades: "O estudo de novas ferramentas para servir de suporte e ensino on line, uma interface entre o docente, encontro as melhores tecnologias e mídia para que o curso se desenvolva e seja oferecido on line. Há uma articulação técnica com o docente, o uso da internet, CD, vídeo conferência, sistemas de gerenciamento de conteúdo e aprendizagem (RMS e RCMS)". Atualmente Eduardo iniciou estudo sobre a TV digital e mídia digital. Seu foco de atuação no grupo foi relacionado com a digitalização da mídia, o seu processo técnico, inclusive no cinema e sua relação com a educação e RTV.

João Plaça é jornalista, trabalhou com rádio, TV, jornal e leciona há 20 anos, atualmente mais dedicado à academia como diretor da Faculdade de RTV da UMESP. João descreve seu interesse na tecnologia: "Verificar como a tecnologia pode servir para a informação ser melhor disponibilizada, pensando como o humano se posiciona diante da tecnologia... de que forma você pode chegar nele (espectador) e fazer um bom uso da tecnologia". João trouxe ainda cópias da entrevista concedida por Alvin Toffler a revista Veja. Seu objeto de análise no grupo foi definido como o telejornalismo digital.

Squirra lembrou ainda de Ruth Vianna, membro do Comtec, que desenvolveu importante estudo no mestrado sobre a digitalização das redações.

Silma Cortês é educadora, trabalhando a tecnologia no contexto do professor, o preparo do profissional da educação para a mídia. Silma desenvolveu junto com Joaquim Valverde para o ComTec uma proposta de estudo sobre o software livre na comunicação. Segundo Silma: "Com a chegada de Lula a presidência da República, percebemos que houve uma grande discussão e divulgação pelos meios de comunicação sobre o software livre, por outro lado percebemos que ainda há uma certa resistência e entendemos que isso ocorre pelo desconhecimento das pessoas, das empresas, das instituições acerca dos benefícios e dos produtos que podem ser utilizados gratuitamente".

Sobre o projeto Silma caracteriza: "Nossa proposta desenha dois `núcleos', num primeiro momento identificar quais são os softwares de autoria e quais são os softwares livres que realizam o mesmo trabalho, que podem ter a mesma funcionalidade, que pode substituir e não pagar a licença. Num segundo momento, analisar junto com as principais empresas de comunicação ou universidades com curso de comunicação se elas estão utilizando, se conhecem estes softwares".

Joaquim Valverde, empresário e diretor da ESEEI, considera o contexto como sendo amplo, pois se trata de mídia digital e software livre, "onde estes dois se juntam". Valverde continua: "Não é possível pensar mídia digital sem software, a produção digital passa necessariamente pela utilização de software. Quando você fala em codec, editores, você está falando de software. O software é a genesis da mídia digital".

Valverde prosseguiu com leitura do texto sobre a proposta, destacando o gasto no Brasil de 2.6 bilhões de dólares com pagamento de licenças de software proprietário em 2002, o equivalente a todo superávit na balança do comércio exterior brasileiro em 2001; o "desconhecimento das alternativas e qualidades dos softwares que podem via a substituir equivalentes proprietários"; o estudo dos "níveis de conhecimento, uso corrente e interesse futuro na utilização do software livre"; identificação dos softwares livres que equivalem nas
tarefas e funcionalidades aos proprietários, quais as faculdades que conhecem, utilizam e quais pretendem utilizar"; pesquisa sobre "produção midiática com software livre".

Continua Valverde: "Para o docente a tecnologia é uma selva onde ele não consegue distinguir os diferentes tipos de vegetação, isso é um `bolo' que acaba se caracterizando como marcas do produto; se o produto é `Corel Draw', só há ele. É preciso deixar claro a categorização dos diversos tipos de software. Se você está na área de RTV e você está pensando em compressão, é preciso ficar claro quais são os softwares daquela área, como o Maia, o Blender, por exemplo. Se você está falando de edição, é um segundo tipo. Essa coisa não está clara... As pessoas têm o costume de chamar os softwares pelas
marcas, não pelas categorias. O `Corel Draw' é sobre `desenho vetorial', `Word' software de `edição de texto', `Power Point' como `software de apresentação', há o software de planilha, de animação, de modelagem, etc. Os profissionais e professores de comunicação citam marcas mas não sabem o que está por detrás da marca, se nós não tivermos esta clareza de visão, não conseguiremos distinguir uma bananeira de uma mangueira".

Squirra se manifestou: "Esta é a nossa missão, são coisas concretas. Nós não vamos resolver os problemas estruturais, nós temos uma contribuição a dar de forma serena e metódica".

Valverde concluiu: "Essa é a proposta de um primeiro trabalho, mas não queremos nos restringir a ele pois inclusive fazendo algumas pesquisas para tentar colocar no texto de forma simplificada como é de fato que funciona um computador não numa linguagem técnica com gráficos e equações matemáticas mas com um texto compreensível para estudantes e profissionais".

Adriana Oliveira caracterizou-se como um profissional "do mercado", formada em propaganda, com estudo na França, estágios na área de cultura, na Radiobrás, trabalhando na General Motors, ONU e Embraer, aluna especial no doutorado procurando retornar ao ambiente universitário. Seu interesse em tecnologia está relacionado com a exclusão digital: "a questão da justiça social, não sei se utópico, mas a democracia da informação, por que são poucas pessoas que detém o mercado, qual mídia tem maior acesso; coisas mais sociais e voltadas para o prático, para contribuir com a evolução da sociedade".

Concluída as apresentações, Squirra retomou a palavra comentando sobre a importância de consolidar o banco de dados: "Eu acredito em bando de dados... Eu conclamo os colegas a olharem a produção diária, seu banco de acesso, os jornais e revistas, vamos por método criar uma pasta, criar referências, vamos criar um depositário que em forma física ou digital". Flávio Archangelo mostrou mapa temático do acerco com mais de 1000 textos selecionados e sugeriu a digitalização, até para facilitar a busca temática ou por keywords já que muitos artigos são intertextuais, podendo pertencer a muitas categorias. Amyris na ocasião se pronunciou sobre a doação de um scanner.

Squirra estimulou todos os membros a compartilharem textos e arquivos, seja nos fóruns do grupo ou para o acervo: "O grupo de pesquisa é para o apoio de desenvolvimento científico na área, vocês tragam o livro, comentem, façam uma resenha, é um lugar de encontro, de partilha, não precisa ser físico, a rede proporciona isso para nós".

Ele prosseguiu: "O problema para mim é a aplicação do conhecimento... Ciência não é o que eu descubro e escondo. A ciência só existe quando você partilha e submete à análise, compartilha com a sociedade, ao partilhar eu abro e me preparo para levar ataques pois se a argumentação não estiver suficiente alguém criticará, por isso é preciso o método, fazer ciência; a ciência é tão rígida que ele pode não gostar do que escrevi mas o meu texto e minha visão tem o direito de permanecer porque a minha colocação, a minha lógica, os princípios são comprováveis, seguros, são verificáveis... Temos que partilhar, submeter, ter coragem de dar enquanto seres ativos contribuições para a sociedade".

Squirra propôs montar "uma home page do grupo com o nome ComTec, inspirado no CalTech (California Technology Institute). Dentro da home page vamos inserir um banco de dados, vamos inserir links, páginas pessoais, organizada e referenciada, produção". Penterich propôs a criação de um "ambiente virtual" em programas já aplicados em Educom, participando do trabalho Flávio, que está gerenciando a mailing list do grupo e Amyris, que considerou "criar um mapa de navegação imaginando o quanto já podemos contribuir, como os textos encontrados nos journals que nem todo mundo está assinando mas gostaria de ter acesso. Algumas pesquisas são under construction, textos, algumas idéias, poderíamos criar uma árvore de navegação própria".

Por fim, foram renovadas as idéias de um ciclo de palestras sobre software livre e ciclo de exibição de tradicionais filmes relacionados com tecnologia digital, procurando inserir o tema numa visão cultural para toda comunidade acadêmica local, com resenhas feitas pelos membros do grupo sobre as aplicações tecnológicas tratadas nos filmes. Squirra considerou que "há uma cultura cinematográfica na área. Como Tron, o primeiro filme que mostrou como é por dentro do computador. Lembramos de Matrix, 2001; precisamos construir uma filmografia desse espaço, tema tecnologia, ciberespaço, sociedade da informação. Vamos deixar isso como `pano de fundo' e ficarmos atentos".

Squirra começou o debate acerca de um livro que o ComTec poderia produzir baseado nos perfis traçados por cada pesquisador: "O meu sonho é que este grupo produza um livro até o final do ano que vem". Ainda, que "cada um dentro de sua área deveria até o final do ano ou até março produzir um texto com este recorte. Este deve ser o objetivo do grupo de pesquisa, quer seja na internet ou no livro".

A próxima reunião do ComTec será dia 25 de outubro, às 1700 horas na UMESP, procurando manter uma periodicidade da última segunda-feira de cada mês dedicada à integração, troca de informações, apresentação de textos, resultados de pesquisas, etc. Todos foram convidados para as reuniões de estruturação do novo curso de Mídias Digitais da UMESP. Squirra considerou que "este grupo é o fórum para auxiliar o pessoal que está montando o curso, é um lugar onde poderemos discutir até o currículo".

FIM

 
     
 
Home > Sobre > Reuniões
 


 
-------------------------------------------------------------------------------------------------------------
:: COMTEC :: Grupo de Pesquisa em Comunicação e Tecnologias Digitais :: comtec.pro.br ::